O Arquétipo da Criação e da Paz
Oxalá representa a própria luz da consciência e a matéria primordial que deu forma aos seres humanos. A sua vibração está totalmente afastada da violência ou do caos; ele é o pacificador, o conselheiro e o símbolo da tolerância.
O Branco Sagrado: Todas as suas representações giram em torno do branco (funfun). Esta cor não é apenas uma escolha estética, mas a soma de todas as cores e a expressão máxima da pureza, do respeito e da frescura espiritual (axé).
A Sexta-feira: É o dia da semana dedicado a Oxalá. Tradicionalmente, os terreiros e os seus devotos vestem-se inteiramente de branco neste dia em sinal de respeito, recolhimento e pedido de paz.
Símbolos, Oferendas e Saudação
Saudação: O grito de saudação a Oxalá é “Épa Babá!”, uma expressão de profundo respeito que se traduz como “Viva o Pai!” ou “Olhai por nós, Pai”.
Elementos da Natureza: Está associado ao céu, ao ar e às águas calmas e límpidas.
Oferendas Tradicionais: Alimentos que partilham a sua cor de pureza, sendo o mais conhecido o ebô (canjica branca cozida, servida sem temperos fortes, mel ou sal em excesso, priorizando a simplicidade).
O Sincretismo e o Impacto Cultural
Historicamente, para proteger o seu culto durante a era colonial, os povos escravizados associaram as características de Oxalá às de Jesus Cristo. Esta ligação mantém-se viva no imaginário popular, sendo o expoente máximo desta fusão cultural a famosa Lavagem do Bonfim, em Salvador da Bahia, onde milhares de pessoas vestidas de branco lavam as escadarias da igreja numa celebração que une católicos e praticantes das religiões de matriz africana sob a mesma bandeira de fé e harmonia.





