A Criação e o Domínio de Nanã
Nanã Buruquê é essencialmente a Orixá da criação da vida humana e da transformação.
O Elemento Primordial (A Lama): Seu domínio é o Lodo (Lama, Lodaçal), que é o elemento de onde a humanidade foi moldada por Oxalá. Nanã, portanto, é a detentora da matéria-prima da vida. Ela é a única Orixá que não usa o metal (o ferro de Ogum), pois a sua força é a força da natureza em estado primordial, anterior à tecnologia e à guerra.
O Mistério da Morte e da Vida: Nanã está ligada ao início e ao fim do ciclo da vida. Ela recebe os corpos no retorno à terra. Na Umbanda e no Candomblé, ela governa os cemitérios ou a parte do cemitério que representa o retorno à lama. Ela é a passagem entre o mundo material e o espiritual.
A Sabedoria da Ancestralidade: Ela simboliza a memória, a sabedoria acumulada pelos anciãos e a paz que se alcança com a idade.
O Simbolismo e a Devoção
Em termos de devoção, Nanã Buruquê é frequentemente sincretizada na Igreja Católica com Sant’Ana (Mãe de Maria e avó de Jesus), pois ambas representam a Matriarca, a anciã e a guardiã da sabedoria familiar.
As cores que a representam são o Lilás, o Roxo e o Branco. O lilás/roxo está ligado à transmutação, à espiritualidade e ao poder da sabedoria ancestral, enquanto o branco evoca a paz e a pureza de Oxalá.
O seu instrumento sagrado é o Ibiri, um feixe de nervuras de palmeira com búzios ou fitas, que é usado para afastar as energias negativas e simboliza a limpeza e o equilíbrio.
Quando os fiéis a saúdam, usam a expressão: “Saluba, Nanã!” (que pode ser traduzido como “Nós te saudamos, Nanã!”).








